quinta-feira, 16 de maio de 2013

FICHAMENTO DO ARTIGO: Política de Educação a Distância: a Flexibilização Estratégica, de Raquel Goulart Barreto

Tipo: ARTIGO

Assunto / tema: EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

Referência Bibliográfica: LOPES, A. C., MACEDO, E. Políticas de currículo em múltiplos contextos. São Paulo: Cortez, 2006.


Resumo / conteúdo de interesse:

O artigo de Raquel Goulart Barreto, busca discutir como a Educação a Distância - EaD - tem sido pensada. E considera ainda como as Tecnologias de Informação e Comunicação - TICs - tem sido incorporadas ao ensino.

A autora aborda duas questões: a EaD como modalidade de ensino enfatizando sua dimensão operacional, e EaD em seu aspecto político - ideológico.

Em relação à dimensão operacional, as TICs correspondem basicamente à transposição dos conteúdos para os meios digitais, utilização da internet para interação entre alunos e professores, com ênfase aos meios operacionais da realização da EaD.

Já a dimensão político - ideológica da EaD, problematiza as relações existentes entre as TICs e os modos que estas são utilizadas na educação. Destaca que estas são produzidas em áreas não - educacionais e para outros fins é readaptadas para a área educacional. Nos países centrais este tipo de tecnologia representa o aperfeiçoamento do ensino, mas a EaD é uma estratégia alternativa cara nos países periféricos, apesar de ser uma forma de reduzir os custos do ensino. No Brasil, a EaD é utilizada como estratégia para formação de professores.

É no contexto brasileiro que a autora procura a partir da análise do discurso dos documentos oficiais relativos ao tema, identificar como a EaD é referida em tais documentos e qual o sentido que lhe é atribuída. Em todos os documentos, a EaD é justificada pela possibilidade de flexibilização em diferentes sentidos em que pode-se destacar a flexibilização curricular (baseada em competências), a flexibilização de associação entre instituições públicas e privadas, e a flexibilização das fontes de financiamento. A flexibilização nos moldes citados é uma forma estratégica, ou seja, possui uma intencionalidade: a homogeneização dos currículos e a consequente transformação da educação em uma mercadoria (serviço educacional).

Um dos documentos analisados é o do Grupo de Trabalho Interministerial – GTI onde o foco é a utilização da EaD para o aumento de número de vagas nas universidades. Neste contexto, a EaD é responsável pela multiplicação de tais vagas e lamenta a existência de posturas críticas existentes em relação à sua estratégia, pois outros documentos ignoram o fato de que ela têm sido utilizada para atualização de professores, treinamento de trabalhadores em serviço, e consequente certificação e aceleração na formação profissional para atender as demandas do mercado. O GTI nega também questão da tentativa de substituição do professor pela tecnologia, atribuindo a ele a possibilidade de planejamento e produção de conteúdo, porém, ressalta a necessidade de capacitação dos professores na utilização dos recursos tecnológicos.

O papel do professor neste caso é deslocado para a tutoria e avaliação, e isto é reforçado pela necessidade de que os materiais educacionais sejam de ampla utilização, já que as tecnologias são vistas como uma alternativa para reduzir problemas na educação e formação de professores.

Ao final do artigo, a autora discute sobre o discurso da competência, que legitima as propostas educacionais tornado-as inquestionáveis. Como exemplo, temos a inserção da EaD na formação docente e a transformação das tecnologias como o sujeito do processo de aprendizagem.

 

Citações:

1)      "De um lado, as tecnologias são postas como solução para todos os problemas e, de outro, reduzidas a estratégias de EaD, agora estendidas da formação de professores para a graduação em geral, especialmente nas instituições públicas.” (p. 199)


2)      “Este é um modo de incorporação que desloca os benefícios potencias das TIC do aperfeiçoamento do ensino para a sua substituição, podendo constituir estratégia para “resolver” as contradições entre o discurso da valorização do professor e o esvaziamento do trabalho-formação docente.” (p.199)


3)      “Em síntese, na política da educação à distância, a flexibilização é estratégia para: liberalização de acordos e serviços; a desnacionalização de serviços básicos como a educação (Siqueira, 2004); o fim da fronteira entre o público e o privado; o silenciamento dos campi (Leher, 2004); o esvaziamento da formação como prática social; a redução dos cursos a pacotes instrucionais; a desterritorialização da escola, etc.” (p. 202)

 
Considerações do pesquisador (alunos):

O artigo levanta questionamentos sobre o uso das TICs e da EaD que geralmente não nos atentamos. Muitas vezes, assumimos o discurso de que a EaD é a solução dos problemas da educação sem pensarmos criticamente que tal proposta está carregada de intencionalidades e que muitas vezes atendem às necessidades de determinados grupos políticos e econômicos. Portanto, o artigo cumpre o seu papel de provocar reflexões sobre a neutralidade da inserção das TICs e da EaD.


Indicação da obra:

Professores e pesquisadores na área da educação, em especial em educação à distância.

 
 
* TEXTO FICHADO POR ZAQUEU E CYNTHIA

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O momento que segue agora é uma reflexão acerca de tudo que foi discutido na última aula de TCC.
 
Falamos sobre o livro de Paulo Freire - Pedagogia da Autonomia e diversas palavras com seus significados vieram à tona para esclarecer ideias...
 
Falar da autonomia do aluno e sua curiosidade epistemológica consiste em apoiá-lo em busca incessante pelo conhecimento e tudo o que ele pode lhe oferecer em um conceito social, ético, político, crítico e consciente, ou seja, a dar-lhe a vara para pescar e não o peixe. Ele tem que aprender a conviver com desafios e descobertas, mas pensemos... ele será capaz de ter está iniciativa por si só? Penso ser este o momento exato da atuação do professor como o mediador de toda esta trilha que o levará ao desconhecido. O professor portador de uma bagagem rica em conhecimentos possui autoridade para levar à diante o que é de sua práxis, afinal de contas, um educador repleto de conheciemento, vontade, alegria e motivação é extremamente capaz de dialogar com seus educandos.

É preciso estarmos num processo de busca constante quanto educadores, vemos crianças crescendo, mudando, amadurecendo, aprendendo e evoluindo. Lidamos com gente, com sentimentos, com sonhos, com realizações, mas também com medos, dúvidas, angústias, problemas familiares e emocionais, enfim... estamos frente a frente à realidade de vida de muitos educandos, e temos que ao máximo levar compreensão e motivação a estes.
 
Um relação estreita entre estes dois personagens (aluno - professor) certamente terá êxito, pois "não existe docência sem a discência", não é mesmo?... Sábias palavras de Paulo Freire, este educador soube apreciar a arte do ensino e tudo de belo que existe nele!
 

Além das discussões de Paulo Freire, foi apresentado a nós o texto de Antônio Prada sobre o "BOLO". Segue o texto e minhas reflexões costuradas com as discussões do livro de Paulo Freire entre outras colocações realizadas em sala de aula.


Poucas coisas neste mundo são mais tristes do que um bolo industrializado. Ali no supermercado, diante da embalagem plástica histericamente colorida, suspiro e penso: estamos perdidos. Bolo industrializado é como amor de prostituta, feliz natal de caixa automático, bom dia da Blockbuster. É um anti-bolo. Não discuto aqui o gosto, a textura, a qualidade ou abundância do recheio de baunilha, chocolate ou qualquer outro sabor. (O capitalismo, quando se mete a fazer alguma coisa, faz muito bem feito). O problema não é de paladar, meu caro, é uma questão de princípios. Acredito que o mercado de fato melhore muitas coisas. Podem privatizar a telefonia, as estradas, as siderúrgicas. Mas não toquem no bolo! Ele não precisa de eficiência. Ele é o exemplo, talvez anacrônico, de um tempo que não é dinheiro. Um tempo íntimo, vagaroso, inútil, em que um momento pode ser vivido no presente, pelo que ele tem ali, e não como meio para, com o objetivo de.
 
Engana-se quem pensa que o bolo é um alimento. Nada disso. Alimento é carboidrato, é proteína, é vitamina, é o que a gente come para continuar em pé, para ir trabalhar e pagar as contas. Bolo não. É uma demonstração de carinho de uma pessoa a outra. É um mimo de avó. Um acontecimento inesperado que irrompe no meio da tarde, alardeando seu cheiro do forno para a casa, da casa para a rua e da rua para o mundo. É o que a gente come só para matar a vontade, para ficar feliz, é um elogio ao supérfluo, à graça, à alegria de estarmos vivos.
 

A minha geração talvez seja a primeira que pôde crescer e tornar-se adulto sem saber fritar um bife. O mercado (tanto com m maiúsculo como minúsculo) nos oferece saladas lavadas, pratos congelados, comida desidratada, self-services e deliverys. Cortar, refogar, assar e fritar são verbos pretéritos.
 

Se você acha que é tudo bem, o problema é seu. Eu vou espernear o quanto puder. Se entregarmos até o bolo aos códigos de barras, estaremos abrindo mão de vez da autonomia, da liberdade, do que temos de mais profundamente humano. Porque o próximo passo será privatizar as avós, estatizar a poesia, plastificar o amor, desidratar o mar e diagramar as nuvens.

 

Tô fora.

 

(Antonio Prata)





 
           Existe de minha parte uma certa concordância com as palavras deste autor, a correria do dia-a-dia traz a nós muitas vezes produtos de fácil acesso, pensamentos incontroláveis, exaustão rotineira, relações descompromissadas, transportes lotados, filas, horários... enfim, é a lei de sobrevivência do mais forte! Mas para quê tudo isso? Como retornar ao tempo em que tudo era mais fácil, mais leve, mas simples? Esta pergunta não possue uma resposta pronta, pois está não existe. Temos que encarar a dura realidade que nos cerca, onde precisamos nos adaptarmos a este mundo modernizado e competitivo, mas não podemos perder a essência que nos faz sermos quem somos, a de possuirmos liberdade de pensamento e autonomia de escolhas. Podemos sim escolher o "industrializado", mas será que devemos viver somente à base dele? Penso que não, temos que manter o gosto pelo natural, fixados às raízes de uma época que já está se distanciando e deixando em muitos o gosto da saudade.

Na escola também deve ser assim, devemos manter o natural, o simples, o próximo, o íntimo, ou seja, tudo aquilo que faz de nós educadores apoiados em um processo de ensino que tenha "vida". Devemos ter a noção de que o ensino deve sim acompanhar a evolução dos tempos, mas que este não deve perder as suas particularidades.
 
 
 
FICHAMENTO - PEDAGOGIA DA AUTONOMIA
 

Tipo: LIVRO
 
Assunto / tema: Autonomia. Educação. Ensino. Prática de Ensino. Professores. Formação Profissional.
 
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à
prática educativa
. 40. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2009. 148p.
 
Resumo / conteúdo de interesse:
“Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém.”
O assunto central do livro é em favor da autonomia do aluno, ele fundamenta os saberes necessários, as preocupações e o desenvolvimento dos alunos. O objetivo não é só de ensinar, mas também envolve a ética, o respeito, a responsabilidade, a liberdade e a consciência de sua posição no mundo. Educar tem suas práticas e é preciso uma reflexão sobre o que é educar, ter consciência de que ensinar não é transferir ou transmitir conhecimento e sim criar possibilidades para produção e construção dos conhecimentos partindo do envolvimento do aluno.
Paulo Freire fala da esperança e do otimismo necessários para mudanças e da necessidade de nunca se acomodar, pois "somos seres condicionados, mas não determinados". Ele apresenta três temas básicos para construir a Pedagogia da Autonomia, que leva à formação para vida, são eles: a) não há docência sem discência; b) ensinar não é transferir conhecimento e; c) ensinar é uma especificidade humana.
 
Citações:
Página:
1 “ Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar. Foi assim, socialmente aprendendo, que ao longo dos tempos mulheres e homens perceberam que era possível – depois, preciso – trabalhar maneiras, caminhos, métodos de ensinar.”
23, 24
2 “É preciso insistir: este saber necessário ao professor – que ensinar não é transferir conhecimento – não apenas precisa de ser apreendido por ele e pelos educandos nas suas razões de ser – ontológica, política, ética, epistemológica, pedagógica, mas também precisa de ser constantemente testemunhado, vivido.”
47
3 “Um esforço sempre presente à prática da autoridade coerentemente democrática é o que a torna quase escrava de um sonho fundamental: o de persuadir ou convencer a liberdade de que vá construindo consigo mesma, em si mesma, com materiais que, embora vindo de fora de si, reelaborados por ele, a sua autonomia. É com ela, a autonomia, penosamente construindo-se, que a liberdade ou preenchendo o “espaço” antes “habitado” por sua dependência. Sua autonomia que se funda na responsabilidade vai sendo assumida.”
 93, 94
Considerações da aluna: É preciso refletir a nossa prática enquanto educadores, pois a formação científica, correção, ética, respeito aos outros, coerência, capacidade de viver e de aprender com o diferente, são obrigações a que devemos nos dedicar.  Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. O ensino não depende exclusivamente do professor, assim como aprendizagem não é algo apenas de aluno, as duas atividades se explicam e se complementam; os participantes são sujeitos e não objetos uns dos outros.
Indicação da obra: Tem por finalidade nortear alunos de pedagogia e licenciaturas, e também professores na sua formação continuada, pois o livro faz uma séria reflexão sobre processo de ensino e aprendizagem.
Livro disponível em:
http://br.librosintinta.in/pedagogia-da-autonomia-pdf.html
 



 


 

 

sexta-feira, 26 de abril de 2013


"LABIRINTO"

Corro, procuro, não acho!
Estou perdida, não sei a quem me recorrer!
Sinto fome, sinto frio, sinto medo...
Espero que alguém venha me socorrer!

Perdida, procuro a saída e não a acho.
Paredes por todos os lados me sufocam,
Começo a chorar, perdi as esperanças...
Não vou conseguir sair dalí.

Algo me toca e me diz:
Acalme-se, tente... não desista!
Então, abro os olhos e a luz desaparece.
Assustada, mas decidida... luto para encontrar a saída.

Pronto, acabou... não foi tão difícil!
Olhei para o céu para agradecer, quando ouço um doce voz:
"Estava a te esperar, que bom que acreditou que aqui irias chegar."


Cynthia Vieira Mendes
 
Festival de Poesia, 1998
São João da Mata/MG

quinta-feira, 25 de abril de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A pipoca


Rubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido
.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".

 
 
Foi solicitado pela profª Rita Stano uma comparação, um repensar sobre Currículo em comparação com o texto "Pipoca" de Rubem Alves e contextos discutidos na aula do dia 12 de abril com embasamento no texto apresentado por Zaqueu e eu.

Sendo assim, faço agora minhas colocações:

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".

Faço das últimas palavras do autor, as minhas primeiras... Que texto maravilhoso, que conteúdo cheio de significações, isso por causa se uma simples PIPOCA, veja só, como são belos os pensamentos de um poeta que consegue transformar coisas simples em coisas tão grandiosas!

A profª Rita fez a seguinte pergunta na aula passada: "Quem define qualidade e eficiência?", agora atrevo-me a responder com base neste texto que somos NÓS, pois compete a nós passar pelo fogo do entusiasmo, da alegria, da vontade de transformar nosso ensino em PIPOCAS branquinhas, bonitas, saborosas e temperadas ao nosso gosto, pois ensino é isso, é querer acrescentar sabor naquilo que estamos passando aos nossos alunos, e querer que eles desejem pipocas como as crianças. Mas pensemos, quase ninguém come pipoca sozinho, sempre há pessoas por perto partilhando deste alimento, como por exemplo, em festas de aniversários ou assistindo a um bom filme.

Sendo assim, faço minhas comparações, a pipoca (o conhecimento) tem que ser partilhado, o sabor da pipoca (nosso entusiasmo) tem que ser apreciado por alunos e colegas professores dentro da instituição de ensino, os piruás (preguiça, desânimo, mesmice) tem que ser desprezados, pois não tem utilidade e ninguém deseja. Deve ser assim também com o currículo aplicado nas escolas, eles tem que ser como as pipocas, que se modificam quando algo as estimulam, e que sejamos nós os estimuladores de um currículo melhor e mais eficaz no processo ensino-aprendizagem.


 

Na aula do dia 05 de abril de 2013 iniciou-se as apresentações dos textos distribuídos pela profª Rita Stano, o texto de Glenia e Rozana "Há Polissemia", juntamente com o vídeo "Os perigos de uma história única" e as colocações realizadas pela profª e colegas trouxeram muitos contextos importantes e enriquecedores à prática do ensino e novos conceitos sobre Currículo.

Pude entender que o termo currículo é um termo polissêmico,pois este veicula uma noção sujeita à ambiguidade e diversidade de sentidos, o autor LLAVADOR (1994), traz que “a palavra currículo engana-nos porque nos faz pensar numa só coisa, quando se trata de muitas simultaneamente e todas elas inter-relacionadas”, o que me faz lembrar das palavras da nigeriana do vídeo, que diz que manter uma única história é fazer com que esta não tenha outras que estão ocultas ao conhecimento de todos. O vídeo e o texto deixa claro que não podemos manter uma única ideia sobre um fato, situação ou condição, as coisas tende a mudar conforme a realidade em que vivemos e existimos. Novas necessidades de mudanças surgem para fazermos o melhor ao próximo e à sociedade.
 


Neste mesmo dia, os colegas Dessano e Lourdes apresentaram o texto "ENTRE O MITO DO “BOM SELVAGEM” E O PROCESSO DA EDUCAÇÃO RACIONAL, NA INTERLIGAÇÃO DO CURRÍCULO COM AS FINALIDADES EDUCATIVAS", onde o autor Moreira da Silva apoiado pelas referências de krishnamurti traz ideias que nos faz pensar o quanto as práticas do ensino e as pessoas envolvidas neste cenário estão vivenciando frequentemente falhas e comodismo, sendo assim, o autor aponta para reflexão os seguintes tópicos:

* Educar o Educador;

* Desenvolver no educador a "inteligência de educar";

* Incutir no educador hábitos de interrogação constante;

* Assumir a educação no sentido mais profundo;

* Levar o educador a encarar positivamente o educando.

 

Concordo com o jornalista Alexandre Garcia que em um texto diz "já não somos os bons selvagens da utopia do século 18. Perdemos o adjetivo" e por quê o perdemos? Porque o termo "o bom selvagem" utilizado por Rousseau como "o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe" e que compara romanticamente o cidadão civilizado e corrupto com o índio que a seu modo de ver seria selvagem, mas pacífico e vivia feliz e contente sem luxo nenhum, ou seja, esse mito pode ser comparado a uma criança que é pura, mas que depois se torna ambiciosa (por causa da sociedade competitiva e da propriedade privada) dando assim origem a problemas sociais.

Podemos acrescentar a este contexto além dos problemas sociais, os educacionais, que caberá ao educar a tentativa de modificação e resgate de "crianças, jovens, adultos..." para uma educação que agora é racional.