quinta-feira, 20 de junho de 2013

FICHAMENTO DO CAPÍTULO: A política do conhecimento oficial: faz sentido a ideia de um currículo nacional? (cap. 3)


Tipo: LIVRO  

Assunto / tema: Educação. Política. Sociologia. Ideologia. Currículo.

Referência Bibliográfica: A política do conhecimento oficial: faz sentido a ideia de um currículo nacional?. In: MOREIRA, A. F.; SILVA, T. T. Currículo, Cultura e Sociedade. 10.ed. São Paulo:Cortez, 2008.


Resumo / conteúdo de interesse:

O capítulo 3 do livro de Moreira e Silva também foi escrito por Michael W. Apple e fala sobre a ligação da educação com política da cultura, onde o currículo é visto como um produto das tensões, conflitos e concessões culturais, políticas e econômicas que organizam e desorganizam um povo. As condições econômicas e sociais que estão ligadas às diferentes classes sociais também estão presentes nas escolas, atuando como restauração conservadora, e a justificativa do autor a este conceito é que o currículo e a avaliação nacional estão perigosamente relacionados às ideologias. O texto fala ainda do currículo nacional que inicialmente foi implantando na Inglaterra e que consiste de matérias básicas e fundamentais, como a matemática, ciências, tecnologia, história, arte, música, educação física e uma língua estrangeira moderna, mas para Michael Apple é importante levantar questões para que pensemos e repensemos nas implicações que conservadorismo pode causar no neste tipo de currículo, pois a adoção de livros didáticos do Estado pode dispensar muito tempo e custo e não atingir a qualidade do ensino, este tipo de currículo citado está vinculado com projetos direitistas, mas para outros autores mais liberais citados no texto, um currículo nacional mais bem projetado seria aquele que envolveria a criação de novos exames (métodos de avaliação), com um conteúdo mais rigoroso e maior preparo dos educadores para a exigência e estímulo dos alunos. Os professores e administradores teriam de aprofundar seus conhecimentos e mudar concepções sobro o seu próprio conhecimento (em termos atuais: reciclar). Os atos de ensinar e aprender teriam de tornar-se mais ativos e inventivos, e a atenção, cooperação e participação na sala de aula torna-se algo mais frequente.  E em se tratando de Neoconservadorismo e Neoliberalismo, a nova aliança em favor da restauração conservadora inseriu a educação em um conjunto mais amplo de compromissos ideológicos. Os seus objetivos são os mesmos que orientam as suas metas para a economia e o bem-estar social. O neoliberalismo defende um Estado fraco, onde a sociedade deixa a “mão invisível” do livre mercado guiar todos os aspectos de suas interações sociais e é vista não só como eficiente, mas também como democrática. Já o neoconservadorismo, orienta-se para uma visão de Estado forte, voltado para uma política de relações de corpo, gênero, raça, padrões, valores e condutas e ao tipo de conhecimento que deve ser transmitido a futuras gerações.


Citações: 

1-“O currículo nacional possibilita a criação de um procedimento que pode supostamente dar aos consumidores escolas com “selos de qualidade” para que as “forças de livre mercado” possam operar em sua máxima abrangência.” (pag. 74)

2-“Um currículo nacional pode ser visto como um instrumento para prestação de contas, para ajudar-nos a estabelecer parâmetros a fim de que os pais possam avaliar as escolas.” (pag. 75)

3-“É possível, por exemplo, afirmar que, somente instituindo um sistema de currículo e avaliação nacionais, seremos capazes de deter a fragmentação que virá em consequência da porção neoliberal do projeto direitista.” (pag. 85)

 
Considerações do pesquisador (aluna):
Falar sobre neoliberalismo e neoconservadorismo, currículo nacional, avaliação e educação me faz pensar nas mudanças que já ocorreram e que foram positivas, mas, contudo, não foram suficientes; as desigualdades na educação ainda existem como relatadas no texto, mas muita coisa ainda tem que mudar, temos que pensar no currículo e toda sua dimensão como algo a ser colocado em prática. Temos visto que muitas são as teorias que esclarecem e tecem conceitos sobre o currículo, agora é buscar concretizar as ações educativas para a melhora da qualidade do ensino.


Indicação da obra: Professores e pesquisadores na área da educação.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

FICHAMENTO DO CAPÍTULO: Repensando ideologia e currículo (cap. 2)


Tipo: LIVRO

Assunto / tema: Educação. Política. Sociologia. Ideologia. Currículo.

Referência Bibliográfica: Repensando ideologia e currículo. In:MOREIRA, A. F.; SILVA, T. T. Currículo, Cultura e Sociedade. 10.ed. São Paulo:Cortez, 2008.

Resumo / conteúdo de interesse:

O capítulo 2 do livro de Moreira e Silva foi escrito por Michael W. Apple e trás em seu conteúdo que fala de Ideologia e Currículo, o pensamento de que se não levarmos a sério a intensidade do envolvimento da educação com o mundo real das desigualdades de poder, estaremos vivendo em um mundo divorciado da realidade, ou seja, a ética e a política tem que ser considerada para o bem comum da sociedade. O autor buscou no texto alertar os educadores quanto ao fato destes realizarem um exame crítico sobre questões de ciência, natureza de homens e mulheres, ética e política, práticas curriculares e pedagógicas. Repensar a forma e o conteúdo do currículo, as relações sociais dentro da sala de aula e as maneiras pelas quais atualmente esses aspectos têm entrado na cultura de determinados grupos em determinadas instituições e em determinadas épocas são pontos também relatados no texto. As instituições distribuem valores ideológicos e conhecimentos necessários à manutenção das composições econômicas, políticas e culturais. E é esta tensão entre distribuição e produção de conhecimento que faz com que as escolas atestem esta partilha de poder econômico e cultural já existente. O tema em questão “Ideologia e Currículo”, foi um trabalho desenvolvido pelo autor ao longo de uma década, foi este o tempo necessário para que ele entendesse a política da realidade educacional e revelasse a marca dessa luta entre conceitos, linguagem e análises. O texto é encerrado com a ênfase de que a tarefa dos educadores é ensinar e aprender, é questionar e reformular o próprio senso comum.

Citações:

1-“Finalmente, senti que era necessário transportar-me para dentro da escola e escrutinar rigorosamente o verdadeiro currículo – não só o explícito, mas também o oculto –que dominava a sala de aula, e então compará-lo com os pressupostos de senso comum dos educadores.” (pag. 44)

2-“Boa parte de minha vida de ativista, pesquisador e professor temsindo gasta tentando unir as fronteiras artificiais entre, digamos, política e educação, entre currículo e ensino de um lado e questões de poder cultural, político e econômico de outro.” (pag. 54)

3-“Ideologia e Currículo –reconhecidas suas limitações e silêncios – é parte de minha jornada nesse caminho para a democracia cultural.” (pag. 35)

Considerações do pesquisador (aluna):

Apesar de este texto ter sido escrito na década de 80, ele é trazido à tona pelos autores Moreira e Silva, ou seja, se ainda é discutido é porque é cheio de grandes significados que ainda são atuantes. É necessário que repensemos ideologia e currículo, e os significados e atuação que eles têm nas escolas nos dias de hoje.

Indicação da obra: Professores e pesquisadores na área da educação.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

FICHAMENTO DO CAPÍTULO: Sociologia e teoria crítica do currículo: Uma introdução. (cap. 1)



Tipo: LIVRO

Assunto / tema: Educação. Política. Sociologia. Ideologia. Currículo.

Referência Bibliográfica: Sociologia e teoria crítica do currículo: uma introdução. In: MOREIRA, A. F.; SILVA, T. T. Currículo, Cultura e Sociedade. 10ed. São Paulo:Cortez, 2008.

 

Resumo / conteúdo de interesse:


O capítulo trata dos principais pontos das origens da tradição crítica e sociológica do currículo trazendo um pouco de sua história em um primeiro momento, e, em seguida faz uma análise da forma como ela se apresenta hoje. Surgem então duas tendências curriculares entre as décadas de 20 e início dos anos 70: escolanovismo de Dewey e Kilpatrick que valorizava os interesse do aluno e o tecnicismo de Bobbitt que pregava a construção de um currículo que desenvolva aspectos desejáveis da personalidade humana sendo esta prática altamente controlada pelo professor. Na primeira parte do texto os autores tratam da preocupação em racionalizar, sistematizar e controlar a escola e o currículo. Para melhor ilustrar o currículo como instrumento de controle social, o texto traz o contexto histórico norte americano de quando surgiram os estudos sobre currículo onde, após uma guerra civil, ocorreu uma reestruturação na economia e na sociedade. A economia passou a ser dominada pelo capital industrial e pelos monopólios complexando assim os processos de produção a partir do surgimento de uma demanda por maiores instalações e mais empregados. Em relação à questão social ocorreu um aumento da imigração em decorrência da industrialização e urbanização através de um êxodo rural. Dessa forma passou a escola a ser o principal meio de transmissão de costumes e valores qualificando e especializando os imigrantes para a vida profissional. Eles buscavam adaptar a escola e o currículo à nova ordem capitalista vigente. Depois disso ocorreram a ênfase estruturalista, ou seja, ênfase na estrutura organizacional e a contracultura com o movimento hippie onde a escola passou a ser criticada. Com o presidente Nixon houve um retorno à eficiência e a produtividade. A partir de 1973 surgem duas tendências: a teoria crítica e a hermenêutica. Na segunda parte do texto os autores defendem um estudo das relações entre currículo e ideologia propondo a partir de Althusser uma ruptura com a noção neoliberal de uma escola ideologicamente neutra. Contudo, ocorre posteriormente uma crítica à obra devido a uma percepção restrita de ideologia como falsa consciência. Surge então a proposta de uma ampliação do conceito de ideologia como sendo essencial à luta de classes questionando então a quem ela beneficia e não mais ao fato de corresponder ou não a realidade. Com relação à questão do currículo e cultura o primeiro é visto como uma forma de transmitir a cultura de uma sociedade. Não existe uma cultura da sociedade unitária nem universalmente aceita, a cultura é vista como um campo e terreno de luta onde diferentes concepções de vida social se enfrentam. Dessa forma, o texto traz de maneira clara e objetiva questões antigas e atuais sobre a teoria crítica do currículo, levando o leitor a refletir sobre as relações entre currículo e poder.

 
Citações:

 

1-    “No caso especifico do currículo, a intenção central era identificar e ajudar a eliminar os aspectos que contribuíam para restringir a liberdade dos indivíduos e dos diversos grupos sociais.” (pag. 15)

 
2-   “O currículo é, assim, um terreno de produção e de política cultural, no qual os materiais existentes funcionam como matéria-prima de criação, recriação e, sobretudo, de contestação e transgressão.” (pag. 28)

 
3-   “Como se vê, a teorização crítica sobre currículo da qual a Sociedade do Currículo é um importante elemento, é um processo contínuo de análise e formação. A Teoria Crítica do Currículo é um movimento de constante problematização e questionamento.” (pag. 35)

  

Considerações do pesquisador (aluna):

Este texto trás a mente reflexões que vem sendo constantemente estimuladas. O papel do currículo nas escolas, as características que ela possui de acordo com o pensamento de diversos educadores, sua influência na sociedade e na construção do saber e reflexão do ser humano. Acredito que todo texto com esta amplitude de palavras e conceitos sempre serão bem vindos ao nosso entendimento e prática enquanto educadores, pois faz-nos pensar o quanto devemos manter esta constante formação profissional para o bem dos educandos.

 

Indicação da obra:

Professores e pesquisadores na área da educação.

 

 

 

 

 

 

 

 



"Severino Antônio e Katia Tavares falam sobre o papel da escola em um mundo cercado de modelos prontos, consumismo e no qual as crianças muitas vezes não são ouvidas."
 
Estes educadores falam de educar com paixão e criatividade. E é nisso que também acredito!... Devemos "aposentar" modelos antigos e redescobrir novas formas didáticas que estimulem o aluno a se tornar sujeito do seu próprio aprendizado.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

FICHAMENTO DO ARTIGO: Política de Educação a Distância: a Flexibilização Estratégica, de Raquel Goulart Barreto

Tipo: ARTIGO

Assunto / tema: EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

Referência Bibliográfica: LOPES, A. C., MACEDO, E. Políticas de currículo em múltiplos contextos. São Paulo: Cortez, 2006.


Resumo / conteúdo de interesse:

O artigo de Raquel Goulart Barreto, busca discutir como a Educação a Distância - EaD - tem sido pensada. E considera ainda como as Tecnologias de Informação e Comunicação - TICs - tem sido incorporadas ao ensino.

A autora aborda duas questões: a EaD como modalidade de ensino enfatizando sua dimensão operacional, e EaD em seu aspecto político - ideológico.

Em relação à dimensão operacional, as TICs correspondem basicamente à transposição dos conteúdos para os meios digitais, utilização da internet para interação entre alunos e professores, com ênfase aos meios operacionais da realização da EaD.

Já a dimensão político - ideológica da EaD, problematiza as relações existentes entre as TICs e os modos que estas são utilizadas na educação. Destaca que estas são produzidas em áreas não - educacionais e para outros fins é readaptadas para a área educacional. Nos países centrais este tipo de tecnologia representa o aperfeiçoamento do ensino, mas a EaD é uma estratégia alternativa cara nos países periféricos, apesar de ser uma forma de reduzir os custos do ensino. No Brasil, a EaD é utilizada como estratégia para formação de professores.

É no contexto brasileiro que a autora procura a partir da análise do discurso dos documentos oficiais relativos ao tema, identificar como a EaD é referida em tais documentos e qual o sentido que lhe é atribuída. Em todos os documentos, a EaD é justificada pela possibilidade de flexibilização em diferentes sentidos em que pode-se destacar a flexibilização curricular (baseada em competências), a flexibilização de associação entre instituições públicas e privadas, e a flexibilização das fontes de financiamento. A flexibilização nos moldes citados é uma forma estratégica, ou seja, possui uma intencionalidade: a homogeneização dos currículos e a consequente transformação da educação em uma mercadoria (serviço educacional).

Um dos documentos analisados é o do Grupo de Trabalho Interministerial – GTI onde o foco é a utilização da EaD para o aumento de número de vagas nas universidades. Neste contexto, a EaD é responsável pela multiplicação de tais vagas e lamenta a existência de posturas críticas existentes em relação à sua estratégia, pois outros documentos ignoram o fato de que ela têm sido utilizada para atualização de professores, treinamento de trabalhadores em serviço, e consequente certificação e aceleração na formação profissional para atender as demandas do mercado. O GTI nega também questão da tentativa de substituição do professor pela tecnologia, atribuindo a ele a possibilidade de planejamento e produção de conteúdo, porém, ressalta a necessidade de capacitação dos professores na utilização dos recursos tecnológicos.

O papel do professor neste caso é deslocado para a tutoria e avaliação, e isto é reforçado pela necessidade de que os materiais educacionais sejam de ampla utilização, já que as tecnologias são vistas como uma alternativa para reduzir problemas na educação e formação de professores.

Ao final do artigo, a autora discute sobre o discurso da competência, que legitima as propostas educacionais tornado-as inquestionáveis. Como exemplo, temos a inserção da EaD na formação docente e a transformação das tecnologias como o sujeito do processo de aprendizagem.

 

Citações:

1)      "De um lado, as tecnologias são postas como solução para todos os problemas e, de outro, reduzidas a estratégias de EaD, agora estendidas da formação de professores para a graduação em geral, especialmente nas instituições públicas.” (p. 199)


2)      “Este é um modo de incorporação que desloca os benefícios potencias das TIC do aperfeiçoamento do ensino para a sua substituição, podendo constituir estratégia para “resolver” as contradições entre o discurso da valorização do professor e o esvaziamento do trabalho-formação docente.” (p.199)


3)      “Em síntese, na política da educação à distância, a flexibilização é estratégia para: liberalização de acordos e serviços; a desnacionalização de serviços básicos como a educação (Siqueira, 2004); o fim da fronteira entre o público e o privado; o silenciamento dos campi (Leher, 2004); o esvaziamento da formação como prática social; a redução dos cursos a pacotes instrucionais; a desterritorialização da escola, etc.” (p. 202)

 
Considerações do pesquisador (alunos):

O artigo levanta questionamentos sobre o uso das TICs e da EaD que geralmente não nos atentamos. Muitas vezes, assumimos o discurso de que a EaD é a solução dos problemas da educação sem pensarmos criticamente que tal proposta está carregada de intencionalidades e que muitas vezes atendem às necessidades de determinados grupos políticos e econômicos. Portanto, o artigo cumpre o seu papel de provocar reflexões sobre a neutralidade da inserção das TICs e da EaD.


Indicação da obra:

Professores e pesquisadores na área da educação, em especial em educação à distância.

 
 
* TEXTO FICHADO POR ZAQUEU E CYNTHIA

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O momento que segue agora é uma reflexão acerca de tudo que foi discutido na última aula de TCC.
 
Falamos sobre o livro de Paulo Freire - Pedagogia da Autonomia e diversas palavras com seus significados vieram à tona para esclarecer ideias...
 
Falar da autonomia do aluno e sua curiosidade epistemológica consiste em apoiá-lo em busca incessante pelo conhecimento e tudo o que ele pode lhe oferecer em um conceito social, ético, político, crítico e consciente, ou seja, a dar-lhe a vara para pescar e não o peixe. Ele tem que aprender a conviver com desafios e descobertas, mas pensemos... ele será capaz de ter está iniciativa por si só? Penso ser este o momento exato da atuação do professor como o mediador de toda esta trilha que o levará ao desconhecido. O professor portador de uma bagagem rica em conhecimentos possui autoridade para levar à diante o que é de sua práxis, afinal de contas, um educador repleto de conheciemento, vontade, alegria e motivação é extremamente capaz de dialogar com seus educandos.

É preciso estarmos num processo de busca constante quanto educadores, vemos crianças crescendo, mudando, amadurecendo, aprendendo e evoluindo. Lidamos com gente, com sentimentos, com sonhos, com realizações, mas também com medos, dúvidas, angústias, problemas familiares e emocionais, enfim... estamos frente a frente à realidade de vida de muitos educandos, e temos que ao máximo levar compreensão e motivação a estes.
 
Um relação estreita entre estes dois personagens (aluno - professor) certamente terá êxito, pois "não existe docência sem a discência", não é mesmo?... Sábias palavras de Paulo Freire, este educador soube apreciar a arte do ensino e tudo de belo que existe nele!
 

Além das discussões de Paulo Freire, foi apresentado a nós o texto de Antônio Prada sobre o "BOLO". Segue o texto e minhas reflexões costuradas com as discussões do livro de Paulo Freire entre outras colocações realizadas em sala de aula.


Poucas coisas neste mundo são mais tristes do que um bolo industrializado. Ali no supermercado, diante da embalagem plástica histericamente colorida, suspiro e penso: estamos perdidos. Bolo industrializado é como amor de prostituta, feliz natal de caixa automático, bom dia da Blockbuster. É um anti-bolo. Não discuto aqui o gosto, a textura, a qualidade ou abundância do recheio de baunilha, chocolate ou qualquer outro sabor. (O capitalismo, quando se mete a fazer alguma coisa, faz muito bem feito). O problema não é de paladar, meu caro, é uma questão de princípios. Acredito que o mercado de fato melhore muitas coisas. Podem privatizar a telefonia, as estradas, as siderúrgicas. Mas não toquem no bolo! Ele não precisa de eficiência. Ele é o exemplo, talvez anacrônico, de um tempo que não é dinheiro. Um tempo íntimo, vagaroso, inútil, em que um momento pode ser vivido no presente, pelo que ele tem ali, e não como meio para, com o objetivo de.
 
Engana-se quem pensa que o bolo é um alimento. Nada disso. Alimento é carboidrato, é proteína, é vitamina, é o que a gente come para continuar em pé, para ir trabalhar e pagar as contas. Bolo não. É uma demonstração de carinho de uma pessoa a outra. É um mimo de avó. Um acontecimento inesperado que irrompe no meio da tarde, alardeando seu cheiro do forno para a casa, da casa para a rua e da rua para o mundo. É o que a gente come só para matar a vontade, para ficar feliz, é um elogio ao supérfluo, à graça, à alegria de estarmos vivos.
 

A minha geração talvez seja a primeira que pôde crescer e tornar-se adulto sem saber fritar um bife. O mercado (tanto com m maiúsculo como minúsculo) nos oferece saladas lavadas, pratos congelados, comida desidratada, self-services e deliverys. Cortar, refogar, assar e fritar são verbos pretéritos.
 

Se você acha que é tudo bem, o problema é seu. Eu vou espernear o quanto puder. Se entregarmos até o bolo aos códigos de barras, estaremos abrindo mão de vez da autonomia, da liberdade, do que temos de mais profundamente humano. Porque o próximo passo será privatizar as avós, estatizar a poesia, plastificar o amor, desidratar o mar e diagramar as nuvens.

 

Tô fora.

 

(Antonio Prata)





 
           Existe de minha parte uma certa concordância com as palavras deste autor, a correria do dia-a-dia traz a nós muitas vezes produtos de fácil acesso, pensamentos incontroláveis, exaustão rotineira, relações descompromissadas, transportes lotados, filas, horários... enfim, é a lei de sobrevivência do mais forte! Mas para quê tudo isso? Como retornar ao tempo em que tudo era mais fácil, mais leve, mas simples? Esta pergunta não possue uma resposta pronta, pois está não existe. Temos que encarar a dura realidade que nos cerca, onde precisamos nos adaptarmos a este mundo modernizado e competitivo, mas não podemos perder a essência que nos faz sermos quem somos, a de possuirmos liberdade de pensamento e autonomia de escolhas. Podemos sim escolher o "industrializado", mas será que devemos viver somente à base dele? Penso que não, temos que manter o gosto pelo natural, fixados às raízes de uma época que já está se distanciando e deixando em muitos o gosto da saudade.

Na escola também deve ser assim, devemos manter o natural, o simples, o próximo, o íntimo, ou seja, tudo aquilo que faz de nós educadores apoiados em um processo de ensino que tenha "vida". Devemos ter a noção de que o ensino deve sim acompanhar a evolução dos tempos, mas que este não deve perder as suas particularidades.
 
 
 
FICHAMENTO - PEDAGOGIA DA AUTONOMIA
 

Tipo: LIVRO
 
Assunto / tema: Autonomia. Educação. Ensino. Prática de Ensino. Professores. Formação Profissional.
 
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à
prática educativa
. 40. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2009. 148p.
 
Resumo / conteúdo de interesse:
“Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém.”
O assunto central do livro é em favor da autonomia do aluno, ele fundamenta os saberes necessários, as preocupações e o desenvolvimento dos alunos. O objetivo não é só de ensinar, mas também envolve a ética, o respeito, a responsabilidade, a liberdade e a consciência de sua posição no mundo. Educar tem suas práticas e é preciso uma reflexão sobre o que é educar, ter consciência de que ensinar não é transferir ou transmitir conhecimento e sim criar possibilidades para produção e construção dos conhecimentos partindo do envolvimento do aluno.
Paulo Freire fala da esperança e do otimismo necessários para mudanças e da necessidade de nunca se acomodar, pois "somos seres condicionados, mas não determinados". Ele apresenta três temas básicos para construir a Pedagogia da Autonomia, que leva à formação para vida, são eles: a) não há docência sem discência; b) ensinar não é transferir conhecimento e; c) ensinar é uma especificidade humana.
 
Citações:
Página:
1 “ Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar. Foi assim, socialmente aprendendo, que ao longo dos tempos mulheres e homens perceberam que era possível – depois, preciso – trabalhar maneiras, caminhos, métodos de ensinar.”
23, 24
2 “É preciso insistir: este saber necessário ao professor – que ensinar não é transferir conhecimento – não apenas precisa de ser apreendido por ele e pelos educandos nas suas razões de ser – ontológica, política, ética, epistemológica, pedagógica, mas também precisa de ser constantemente testemunhado, vivido.”
47
3 “Um esforço sempre presente à prática da autoridade coerentemente democrática é o que a torna quase escrava de um sonho fundamental: o de persuadir ou convencer a liberdade de que vá construindo consigo mesma, em si mesma, com materiais que, embora vindo de fora de si, reelaborados por ele, a sua autonomia. É com ela, a autonomia, penosamente construindo-se, que a liberdade ou preenchendo o “espaço” antes “habitado” por sua dependência. Sua autonomia que se funda na responsabilidade vai sendo assumida.”
 93, 94
Considerações da aluna: É preciso refletir a nossa prática enquanto educadores, pois a formação científica, correção, ética, respeito aos outros, coerência, capacidade de viver e de aprender com o diferente, são obrigações a que devemos nos dedicar.  Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. O ensino não depende exclusivamente do professor, assim como aprendizagem não é algo apenas de aluno, as duas atividades se explicam e se complementam; os participantes são sujeitos e não objetos uns dos outros.
Indicação da obra: Tem por finalidade nortear alunos de pedagogia e licenciaturas, e também professores na sua formação continuada, pois o livro faz uma séria reflexão sobre processo de ensino e aprendizagem.
Livro disponível em:
http://br.librosintinta.in/pedagogia-da-autonomia-pdf.html