sexta-feira, 26 de abril de 2013


"LABIRINTO"

Corro, procuro, não acho!
Estou perdida, não sei a quem me recorrer!
Sinto fome, sinto frio, sinto medo...
Espero que alguém venha me socorrer!

Perdida, procuro a saída e não a acho.
Paredes por todos os lados me sufocam,
Começo a chorar, perdi as esperanças...
Não vou conseguir sair dalí.

Algo me toca e me diz:
Acalme-se, tente... não desista!
Então, abro os olhos e a luz desaparece.
Assustada, mas decidida... luto para encontrar a saída.

Pronto, acabou... não foi tão difícil!
Olhei para o céu para agradecer, quando ouço um doce voz:
"Estava a te esperar, que bom que acreditou que aqui irias chegar."


Cynthia Vieira Mendes
 
Festival de Poesia, 1998
São João da Mata/MG

quinta-feira, 25 de abril de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A pipoca


Rubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido
.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".

 
 
Foi solicitado pela profª Rita Stano uma comparação, um repensar sobre Currículo em comparação com o texto "Pipoca" de Rubem Alves e contextos discutidos na aula do dia 12 de abril com embasamento no texto apresentado por Zaqueu e eu.

Sendo assim, faço agora minhas colocações:

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".

Faço das últimas palavras do autor, as minhas primeiras... Que texto maravilhoso, que conteúdo cheio de significações, isso por causa se uma simples PIPOCA, veja só, como são belos os pensamentos de um poeta que consegue transformar coisas simples em coisas tão grandiosas!

A profª Rita fez a seguinte pergunta na aula passada: "Quem define qualidade e eficiência?", agora atrevo-me a responder com base neste texto que somos NÓS, pois compete a nós passar pelo fogo do entusiasmo, da alegria, da vontade de transformar nosso ensino em PIPOCAS branquinhas, bonitas, saborosas e temperadas ao nosso gosto, pois ensino é isso, é querer acrescentar sabor naquilo que estamos passando aos nossos alunos, e querer que eles desejem pipocas como as crianças. Mas pensemos, quase ninguém come pipoca sozinho, sempre há pessoas por perto partilhando deste alimento, como por exemplo, em festas de aniversários ou assistindo a um bom filme.

Sendo assim, faço minhas comparações, a pipoca (o conhecimento) tem que ser partilhado, o sabor da pipoca (nosso entusiasmo) tem que ser apreciado por alunos e colegas professores dentro da instituição de ensino, os piruás (preguiça, desânimo, mesmice) tem que ser desprezados, pois não tem utilidade e ninguém deseja. Deve ser assim também com o currículo aplicado nas escolas, eles tem que ser como as pipocas, que se modificam quando algo as estimulam, e que sejamos nós os estimuladores de um currículo melhor e mais eficaz no processo ensino-aprendizagem.


 

Na aula do dia 05 de abril de 2013 iniciou-se as apresentações dos textos distribuídos pela profª Rita Stano, o texto de Glenia e Rozana "Há Polissemia", juntamente com o vídeo "Os perigos de uma história única" e as colocações realizadas pela profª e colegas trouxeram muitos contextos importantes e enriquecedores à prática do ensino e novos conceitos sobre Currículo.

Pude entender que o termo currículo é um termo polissêmico,pois este veicula uma noção sujeita à ambiguidade e diversidade de sentidos, o autor LLAVADOR (1994), traz que “a palavra currículo engana-nos porque nos faz pensar numa só coisa, quando se trata de muitas simultaneamente e todas elas inter-relacionadas”, o que me faz lembrar das palavras da nigeriana do vídeo, que diz que manter uma única história é fazer com que esta não tenha outras que estão ocultas ao conhecimento de todos. O vídeo e o texto deixa claro que não podemos manter uma única ideia sobre um fato, situação ou condição, as coisas tende a mudar conforme a realidade em que vivemos e existimos. Novas necessidades de mudanças surgem para fazermos o melhor ao próximo e à sociedade.
 


Neste mesmo dia, os colegas Dessano e Lourdes apresentaram o texto "ENTRE O MITO DO “BOM SELVAGEM” E O PROCESSO DA EDUCAÇÃO RACIONAL, NA INTERLIGAÇÃO DO CURRÍCULO COM AS FINALIDADES EDUCATIVAS", onde o autor Moreira da Silva apoiado pelas referências de krishnamurti traz ideias que nos faz pensar o quanto as práticas do ensino e as pessoas envolvidas neste cenário estão vivenciando frequentemente falhas e comodismo, sendo assim, o autor aponta para reflexão os seguintes tópicos:

* Educar o Educador;

* Desenvolver no educador a "inteligência de educar";

* Incutir no educador hábitos de interrogação constante;

* Assumir a educação no sentido mais profundo;

* Levar o educador a encarar positivamente o educando.

 

Concordo com o jornalista Alexandre Garcia que em um texto diz "já não somos os bons selvagens da utopia do século 18. Perdemos o adjetivo" e por quê o perdemos? Porque o termo "o bom selvagem" utilizado por Rousseau como "o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe" e que compara romanticamente o cidadão civilizado e corrupto com o índio que a seu modo de ver seria selvagem, mas pacífico e vivia feliz e contente sem luxo nenhum, ou seja, esse mito pode ser comparado a uma criança que é pura, mas que depois se torna ambiciosa (por causa da sociedade competitiva e da propriedade privada) dando assim origem a problemas sociais.

Podemos acrescentar a este contexto além dos problemas sociais, os educacionais, que caberá ao educar a tentativa de modificação e resgate de "crianças, jovens, adultos..." para uma educação que agora é racional.

 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Segue agora, uma síntese sobre o texto dos autores José Carlos Libâneo; João Ferreira de Oliveira e Mirza Seabra Toschi extraído do livro Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. O texto trás em seu conteúdo a Globalização, e a influência que ela tem sobre o processo ensino-aprendizagem, além de contar o  deslanche  de todas as transformações técnico-científicas, ecônomicas e políticas na sociedade contemporânea.

Esta síntese foi construída em parceria com  Zaquel Oliveira dos Santos, também aluno do curso de Mestrado Profissional em Ensino de Ciências, na Universidade Federal de Itajubá.
 
 
Vamos ao texto? ...
 

"A educação escolar no contexto das transformações da sociedade contemporânea"

 
Alguns autores afirmam que a revolução tecnológica é a responsável pelo desencadeamento das transformações econômicas, políticas, sociais e educacionais, porém, na realidade, tais transformações técnico-científicas são resultados de ações humanas para atender aos interesses econômicos de controle das capacidades produtivas da sociedade.

A revolução científica está fundamentada na criação e desenvolvimento da microeletrônica, da microbiologia e da energia termonuclear, que foram responsáveis por muitos avanços tecnológicos, contudo são causas de adversidades. Vejamos alguns exemplos a seguir:

- A energia termonuclear foi responsável pela conquista espacial e por avanços no campo de produções de energia, mas por outro lado, a sociedade vive ameaçada pelo risco de uma guerra nuclear e de suas consequências para o planeta.

- Os avanços na microbiologia são responsáveis pela produção de plantas e animais melhorados para o combate à fome, à produção de métodos contraceptivos (controle populacional), e o combate às doenças congênitas. Porém, fala-se sobre o risco da clonagem, da produção de vírus e da guerra bacteriológica.

- Na revolução da microeletrônica, existem efeitos positivos para população no que diz respeito ao conforto doméstico, rapidez, automatização das atividades rotineiras aumentando assim o tempo para o lazer familiar.

A tecnologia moderna também é responsável por avanços no setor de produção agrícola e industrial, assim como, no setor de serviços com a informatização. Porém, a consequência da modernização na agricultura e na indústria está principalmente relacionada à redução de postos de trabalhos e no aumento do desemprego devido à substituição do trabalho humano por máquinas automatizadas. O setor de serviços, assim como o setor agrícola, cresceu muito com a modernização, e passou a absorver parte destes desempregados nos serviços terceirizados e nos negócios formais ou informais.

Dentro da revolução da microeletrônica, pode-se destacar a ocorrência de outra revolução denominada de revolução informacional que foi desencadeada a partir dos avanços nas telecomunicações, nos meios de comunicações e nas tecnologias de informação. A revolução informacional possibilitou maior velocidade na produção, atualização e distribuição de informações assim como estabeleceu novas formas de entretenimento e de promoção de atividades educacionais. Paralelamente aos seus benefícios, a revolução informacional estabeleceu um novo instrumento de dominação da sociedade pelo capitalismo: a informação. O domínio das informações qualificadas e estratégicas representa o controle econômico, político e social daqueles que apenas consomem as informações divulgadas pelos meios de comunicação de massa. A mídia é um instrumento de manipulação das massas populares que está muito distante da posse das informações necessárias para questionar e participar das decisões importantes para a sociedade.

Todas estas mudanças são decorrentes de uma globalização, que vive em  processo de aceleração, integração e reestruturação do capitalismo iniciada desde o final do século XX, e que compreende em um avanço progressivo no campo técnico-científico de áreas como a telecomunicação e a informática, em privatização de setores de bens e serviços pelo Estado, e na busca pela competitividade, desregulamentação do comércio entre países, destruição das fronteiras nacionais para o trânsito de pessoas e materiais, formação de blocos econômicos entre países e livre transação de capitais (globalização financeira).

Tal processo descrito acima, tem como consequências a terceirização, automação e informatização da produção, aumento do desemprego e do subemprego, recessão, crise social, diminuição dos salários, desregulamentação e flexibilização dos mercados de trabalho, minimação das políticas públicas sociais, monopólio dos processos produtivos e do mercado por grandes corporações e consequente fomentação de um sistema de exclusão para pessoas, países e regiões, e instabilidade econômica nos países emergentes em virtude do predomínio do capital especulativo em relação ao produtivo. Portanto, a globalização proporciona a mudança no poder político e econômico, em virtude do enfraquecimento dos países pobres e em desenvolvimento e apoderamento dos países ricos e suas corporações, que chancelados pelas instâncias superiores de poder (Bird, FMI, OCDE, OMC, ONU, OMS, OIT, Unesco, Otan), impõe políticas que atendam seus interesses.

O capitalismo vem assumindo duas posições clássicas: uma concorrencial e outra estatizante. A concorrencial tem como preocupação central a liberdade econômica e, portanto, tem como características a livre concorrência, competitividade, práticas educativas para o desenvolvimento econômico, atendimento às necessidades do mercado e formação de elites intelectuais. A estatizante tem como preocupação central a igualdade social, que tem como objetivo uma economia de mercado planejada e controlada pelo Estado, uma política pública de bem-estar social,  e educação para a promoção de desenvolvimento igualitário das aptidões e capacidades dos indivíduos.

Dentro da modernização capitalista liberal existem dois paradigmas que são citados para melhor ilustrar este contexto. O paradigma da Igualdade traz em seu conceito, que a modernização econômica capitalista sofreu forte influencia após a Segunda Guerra Mundial, pois esta iniciou um processo de depositar maior confiança na educação e na expansão do ensino. Defensores liberalistas sociais acreditavam na universalização do ensino e na garantia da igualdade de oportunidades. Já o paradigma da Liberdade Econômica, da Eficiência e da Qualidade trabalha com o âmbito da competitividade do mercado, ou seja, eficiência e qualidade são condições para a sobrevivência e lucratividade no mercado competitivo. 

Após a Segunda Guerra Mundial, houve no campo da educação uma maior exploração da universalização do ensino fundamental; e na década de 50 houve a expansão educacional pública e gratuita, sobretudo no ensino superior, tendo como fim um projeto de modernização econômica. Todavia, o Estado, estando falido neste período, tendeu a transferir sua demanda para a iniciativa privada, que naturalmente, buscava a eficiência e competitividade no ensino. Portanto, não podemos comparar estas duas instituições educacionais.

Já a partir da década de 80 a preocupação é com uma “educação de qualidade para todos”. Os liberistas regidos pela lei do mercado buscam transformações econômicas na política e na educação. E o Estado, nesta perspectiva neoliberal de mercado, perde o interesse na implementação de uma escola diferenciada, liberal e burguesa, já que neste momento o neoliberalismo o acusa como um órgão de incapacidade administrativa e financeira para gerir a educação, ficando então esta à cargo da iniciativa privada.

A exploração pelo ensino neste período se dava principalmente pela formação de um trabalhador fragmentado, rotativo, que executasse tarefas repetitivas, mas após diversas trocas de papéis em investimentos no ensino este modelo de exploração requer um novo trabalhador, com habilidade de comunicação, de abstração, de visão de conjunto, de integração e de flexibilidade para acompanhar o avanço científico-tecnológico das empresas, o qual se dá por força dos padrões de competitividade exigidos no mercado global.

A educação básica tem agora como função primordial, desenvolver as novas habilidades cognitivas e as competências sociais necessárias à adaptação do indivíduo a este novo paradigma produtivo, além de formar um consumidor mais competente, exigente e sofisticado.  E conforme solicitação do Banco Mundial para o ensino básico e superior, as instituições de ensino devem assegurar um maior acesso aos novos códigos da modernidade capitalista; pois se faz necessário uma reestruturação educativa capaz de corresponder aos desafios impostos por esta sociedade exigente e tecnológica.

 

LIBÂNEO, José Carlos; OLIVEIRA, João Ferreira de; TOSCHI, Mirza Seabra. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2003.

 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Currículo: campo, conceito e pesquisa (de Roberto Sidnei Macedo)

Este resumo abaixo, vem complementar as discussões realizadas na aula da Profª Drª Rita Stano no dia 15 de março de 2013, que teve como foco principal os diversos conceitos de CURRÍCULO.



Em tempos remotos e ainda atuais faz-se necessário que educadores compreendam o significado da palavra "currículo" e suas diversas dimensões que alavancam o processo de ensino.
O currículo não é algo alheio à escola e nem uma força superior a ela. Ele se realiza de acordo com as orientações, os conceitos e teorias contidas nele. Ao pesquisar o currículo através de documentos oficiais, um pesquisador analisa as ideias que objetivam direcionar a educação e aprendizagem por determinado caminho. Entretanto, ao pesquisar o currículo através da prática que acontece na escola, torna-se possível também à percepção de como o currículo é absorvido por esta prática.

No livro de Roberto Sidnei Macedo "Currículo: Campo, conceito e pesquisa", o autor faz colocações devidas situações angustiante que alunos e educadores enfrentam de não conseguirem conceitualizar currículo, talvez por este possuir diversos significados que contextualizam as práticas de instituições de ensino conforme a realidade de cada uma destas e/ou conforme o tempo e situação em que estas estão vivenciando em suas realidades.
Falar sobre currículo é tecer uma ampla gama de conhecimento referentes à contextos muitas vezes ligados à epistemologia, sociologia, antropologia, política, psicologia, romance, poesias, fábula, cinema, teatro, mito, música,artes plásticas, entre outras formas de enriquecer, ampliar ou problematizar as práticas curriculares.
Pacheco (1996) apud Macedo traz consigo o conceito de currículo, com sua origem do latim "correre" que significa caminho, jornada, trajetória, percusso, e a palavra "curriculum" carrega em si o significado de carreira e organização de experiências vividas no campo profissional e educacional.
Kemmis (1998) apud Macedo argumenta que currículo possui um corpo disciplinar próprio, e não um corpo formado por saberes especializados desenvolvidos por outras disciplinas.
Com base nos estudos de Goodson (1998), Macedo elabora conceitos sobre currículo com o intuito de minimizar as angustias que rodeiam aqueles que não conseguem compreender o conceito desta temática. Sendo assim, currículo em alguns de seus significados é um artefato socioeducacional com ações de organização, institucionalização, dinamismo, saber, conhecimento e valores relacionado à educação.
Os atos curriculares que são todas as atividades que se organizam e se envolvem visando uma determinada  formação, organização, formulação, implementação, institucionalização e avaliação de saberes, atividades, valores e competência, estão vinculados com uma formação ética, política, estética e cultural; mas nem sempre estes atos são explícitos, coerentes, absolutos, sólidos, burocráticos ou pré-escritos, ou seja, ele pode ser muitas vezes itinerante e errante, e trazer novos conceitos e significados para a práxis curricular, mantendo assim, o processo cíclico de ensino-aprendizagem conforme experiências vividas por todos os envolvidos no amplo mundo da educação, ou seja, os educadores.
 

quinta-feira, 14 de março de 2013

A disciplina Tendências Contemporâneas de Currículo do curso Mestrado Profissional em Ensino de Ciências da Universidade Federal de Itajubá, sob responsabilidade da Profª Drª Rita de Cássia M. T. Stano, possue como ementa: Estudo das tendências atuais da área de currículo, conceituando criticamente as concepções e fundamentos curriculares. Reflexão das principais questões que compõem as ciências no currículo e as suas evidências no cotidiano escolar. Seleção, organização e distribuição do conhecimento escolar.
 
Sendo assim, compete a nós mestrandos, a elaboração de ideias, percepções, discussões e informações que serão postadas neste blog como forma de comunicação com a docência.
 
Certa de que este instrumento didático será de grande valia, deixo aqui meu entusiasmo com esta ação educacional.
 
 
Cynthia Vieira Mendes